Escapou à catástrofe graças aos seus sólidos alicerces na colina mais alta da cidade, que se estende até ao bairro da Graça. É um bairro para se perder por becos e largos, deixando-se guiar pelos sentidos: vendo estendais nas varandas e fantásticas vistas do Tejo, cheirando peixe a assar na esquina, ouvindo os sons do Fado do interior de um restaurante típico, saboreando pratos tradicionais e tocando em magníficos painéis de azulejos. Este é o bairro mais pitoresco de Lisboa e a verdadeira alma da cidade.

 

Na Rua dos Cegos, a S. Tomé, mantém-se uma casa quinhentista, com um ressalto a partir do primeiro andar, característico da época. Estas casas são raras em Lisboa e esta encontrava-se rodeada de muitas outras de vários estilos que foram demolidas por volta da década de 40 do século XX. Na fachada encontra-se um painel de azulejos do século XX em estilo seiscentista. Representa cópia de um frontal de altar seiscentista com uma custódia ladeada por dois anjos com uma figuração simplista emoldurada em moldura geométrica.




 

Os painéis daquela época são pintados por curiosos sem preparação artística sendo os contornos definidos a manganés. É um edifício quinhentista e será provavelmente um dos mais antigos prédios existentes na cidade de Lisboa. Apesar da sua pequena dimensão, marca sem qualquer dúvida o tipicismo da zona onde se encontra, no Bairro de Alfama.