comemoram 80 anos de existência no dia 30 de Outubro – foram lançados ao mar em 1937 – e “será provavelmente a primeira vez que três navios com 80 anos vão estar no mesmo porto”, segundo o comandante do navio Sagres.

 

 

“Albert Leo Schlageter”

(1937-1948)

O contrato para a construção do Albert Leo Schlageter, entre o estaleiro da Blohm & Voss e a Marinha Alemã, foi assinado no dia 2 de Dezembro de 1936. Com a quilha assente no dia 15 de Julho de 1937, dois meses e meio depois, a 30 de Outubro, o navio foi lançado à água, tendo sido incorporado a 12 de Fevereiro do ano seguin¬te. Largou para a primeira viagem de instrução no dia 20 de Março de 1938, colidindo, dois dias depois, no estreito de Dover, com o navio-vapor Trojan Star, debaixo de cerrado nevoeiro. Antes do início da guerra fez outras viagens de instrução, donde se destacam duas navegações ao Atlântico Sul. Durante grande parte da guerra foi mantido atracado em Kiel, sendo a bordo ministrada instru¬ção de marinharia e navegação.
Em 1944, no sentido de melhorar a preparação marinheira dos seus homens, a Marinha Alemã decidiu colocá-lo novamente a navegar, restringindo as viagens ao Báltico, área então considerada relativamente segura para a missão destes navios. Foi, no entanto, durante uma viagem de instrução naquele mar que o Albert Leo Schlageter embateu numa mina. O acidente, ocorrido debaixo de forte temporal no dia 4 de Novembro, vitimou 18 elementos da sua guarnição, tendo o próprio navio escapado graças à existência de compartimentação estanque – um dos requisitos que nortearam a construção dos velei¬ros desta classe –, bem como pelo facto de se encontrar a navegar em conserva com o navio-irmão Horst Wessel.
A poucos dias do final da guerra, e depois de haverem sido reparados os danos resultantes do embate na mina, o Albert Leo Schlageter foi levado para Flensburg. Esta decisão terá evi¬tado a sua perda, uma vez que a cidade de Kiel, incluindo a sua base naval e os navios que aí se encontravam atracados e fundeados, foram quase totalmente destruídos pelos bombardea¬mentos da aviação inglesa, desencadeados nos últimos dias do conflito.
Com a bandeira alemã o navio teve os seguintes comandantes:
 

“Guanabara”

(1948-1962)

O Albert Leo Schlageter foi cedido pelos Estados Unidos à Marinha do Brasil em 1948, pelo valor simbólico de 5.000 dólares. Uma vez que o navio carecia de fabricos indispensáveis, depois de içada a nova bandeira em Bremerhaven, o trânsito até ao Rio de Janeiro foi feito a reboque. Cerca de um mês depois, entrou pela primeira vez a baía de Guanabara. Haveria de ostentar o nome da célebre baía brasileira a partir do momento em que foi aumentado ao efetivo dos navios da Marinha do Brasil, cerimónia que teve lugar no dia 27 de Outubro desse ano, logo que concluídas as reparações. Até 1961, altura em que foi vendido a Portugal, efetuou inúmeras viagens de instrução ao longo da costa brasileira, tendo apenas visitado um porto estrangeiro, Montevideu, no Uruguai, em 1949. Dez anos depois, a 21 de Julho de 1959, o Guanabara concluiu a sua derradeira viagem ao serviço da Marinha do Brasil. No dia 30 de Novembro de 1960 foi formalmente abatido ao efetivo.
Dois anos depois da sua paragem, o governo português logrou adquirir o Guanabara, muito se ficando a dever este êxito à ação empenhada do Dr. Pedro Teotónio Pereira, na altura Ministro da Presidência. A sua aquisição visava substituir a antiga Sagres, que já não se encontrava em condições de assegurar a continuidade das viagens de instrução. O contrato de venda do navio foi assinado no Rio de Janeiro a 10 de Outubro de 1961, pelo valor de 150.000 dólares, data em que, pela última vez, foi arriada a bandeira do Brasil.
Com bandeira brasileira o navio teve os seguintes comandantes:
 

“Sagres”

(Desde 1962)

Ao abrigo da portaria nº 18997, de 30 de Janeiro de 1962, o NRP Sagres foi aumentado ao efetivo dos navios da Marinha Portuguesa, diploma que igualmente classificava como navio depósito o anterior navio-escola Sagres, doravante com o nome Santo André. 
Não obstante, só nove dias depois, a 8 de Fevereiro, é que a cerimónia oficial teve lugar no Rio de Janeiro, data em que o então Capitão-tenente Silva Horta assumiu o comando do navio, depois de haver sido o último Comandante da antiga Sagres.
Com a aquisição da nova Sagres conseguiu-se aquele que era o principal objetivo, ou seja, dar continuidade à existência de um navio-escola veleiro na Marinha Portuguesa, para que pudesse ser assegurada a formação marinheira dos seus futuros oficiais, complementando-se assim as componentes técnicas e académicas ministradas na Escola Naval.
O navio largou no dia 25 de Abril de 1962 para a sua primeira viagem com a bandeira portuguesa, tendo chegado a Lisboa a 23 de Junho, depois de ter feito escalas no Recife, Mindelo e Funchal.
Desde 1962 o navio-escola Sagres tem efetuado anualmente viagens de instrução com cadetes da Escola Naval, à exceção de 1987 e 1991, anos em que, com vista à sua modernização, cumpriu prolongados períodos de fabricos.
Além da missão relacionada com a instrução dos cadetes, o navio-escola Sagres é também regularmente utilizado na representação da Marinha e do país, funcionando como embaixada itinerante de Portugal.