Estamos todos de parabéns, já que Portugal faz oficialmente 842 anos – somos, afinal, um dos países mais antigos do mundo! Apesar de não haver um consenso entre os especialistas quanto à data que assinala oficialmente a mais correta, o dia 23 de maio parece-nos ser o mais correto e o dia mais oficial para celebrar de acordo com os costumes da época, já que foi neste dia, em 1179, que o Papa Alexandre III, que representava a Igreja Católica (que governava a Europa na altura) emitiu a bula “Manifestis Probatum”, reconhecendo Portugal como um reino independente.

 

 

D. Afonso Henriques, embora reconhecesse a importância prática do Tratado, sabia que este não serviria de muito sem o reconhecimento da autoridade papal. Este foi um dos motivos pelo qual o futuro rei decidiu prestar vassalagem à Santa Fé e encetou um plano diplomático a longo prazo para tornar Portugal um reino independente e soberano aos olhos dos outros reinos da Europa e, finalmente, aos olhos da Igreja Católica.

 

Desde o Tratado de Zamora até à emissão da bula passaram-se 36 longos anos, durante os quais o rei D. Afonso Henriques reuniu todos os seus esforços para tornar Portugal um reino autónomo e soberano.

 

Este processo foi, contudo, lento devido à conjuntura política e religiosa da época. Por um lado, a independência de Portugal não era naturalmente do interesse do rei de Castela e Leão, uma situação que só mudou depois da morte do rei Afonso VII e a separação destes dois reinos em 1157. Por outro lado, tal como já foi mencionado, a autoridade da Igreja esteve enfraquecida durante o século XII e só reconquistou o seu estatuto com o Papa Alexandre III. 

 

Que outros acontecimentos contribuíram para a independência de Portugal?A vontade pela independência enquanto reino transformou-se na principal luta de D. Afonso Henriques. Não foi um processo fácil nem curto, e houve vários momentos que contribuíram para a soberania do reino.

 

Batalha de São Mamede, travada entre D. Afonso Henriques com os barões portucalenses e forças da sua mãe, D. Teresa, defensores de uma união com o reino de Galiza e comandados pelo conde galego Peres de Trava.

 

Após a morte de D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, D. Teresa assumiu as suas pretensões como figura governadora do Condado Portucalense. A discórdia com a sua própria mãe constituiu a primeira acção independentista de D. Afonso Henriques, e resultou neste confronto que o futuro rei venceu perto de Guimarães a 24 de Junho de 1128.

 

Também a Batalha de Ourique foi mais um passo para a soberania da nação portuguesa. Segundo a tradição histórica, a 25 de Julho de 1139, as tropas de D. Afonso Henriques venceram um exército muçulmano e conseguiram reunir um território suficientemente vasto para se formar um reino. A partir desde momento, a documentação régia começou a referir-se a de D. Afonso Henriques com o título de rei. Há muitas incertezas relativamente aos pormenores da batalha, mas a sua importância para a história portuguesa é evidente.

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